Como um laboratório garante a rastreabilidade dos ensaios
Um resultado de laboratório só é tecnicamente útil quando é possível reconstruir como ele foi obtido.
Esse é o princípio da rastreabilidade: conectar a amostra ao método aplicado, aos equipamentos, às condições do ensaio, aos profissionais envolvidos, aos registros e ao relatório final.
A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 é a principal referência internacional para a competência de laboratórios de ensaio e calibração. A norma exige controles sobre itens de ensaio, equipamentos, registros técnicos, dados e resultados. Na prática, a bateria não pode simplesmente “entrar no laboratório e sair com um número”. Ela precisa ser identificada e acompanhada durante todo o processo.
Um sistema consistente permite responder: qual amostra foi ensaiada? Quando? Por qual método? Em qual equipamento? Ele estava calibrado? Quais eram as condições ambientais? Quem executou e verificou o ensaio? Houve alteração de registro?
Há ainda a rastreabilidade metrológica. Segundo a ILAC, ela relaciona o resultado de uma medição a uma referência por meio de uma cadeia documentada e ininterrupta de calibrações, cada uma contribuindo para a incerteza de medição. É o que sustenta medições de grandezas como tensão, corrente, temperatura e tempo.
No setor de baterias, isso tem efeito direto sobre a conformidade. A Portaria Inmetro nº 145/2022 mantém as baterias chumbo-ácido automotivas no regime de certificação compulsória e referencia normas como a ABNT NBR 15940:2019 e a ABNT NBR 15941:2019 para especificações e métodos de ensaio.
Para fabricantes, distribuidores e varejistas, a consequência é objetiva: um relatório sem vínculo verificável com a amostra e o método perde força como evidência. Para o consumidor, rastreabilidade significa maior confiança de que o desempenho declarado foi efetivamente verificado.
Também há ganho de sustentabilidade. Registros confiáveis ajudam a reduzir retrabalho e repetição desnecessária de ensaios, enquanto a identificação correta do produto fortalece uma cadeia em que a destinação das baterias usadas é regulada pela Resolução CONAMA nº 401/2008.
Na avaliação da conformidade, medir é apenas metade do trabalho. A outra metade é provar, etapa por etapa, de onde veio o resultado.
É esse princípio que orienta a Qualibat: transformar ensaios em evidências verificáveis e traduzir conformidade em segurança, transparência e competitividade.