Antes de medir a bateria, é preciso saber se o equipamento mede corretamente
Um resultado de laboratório pode parecer preciso e ainda assim estar errado. Por isso, antes de avaliar tensão, corrente, temperatura, capacidade ou outros parâmetros de uma bateria, é necessário conhecer o desempenho metrológico dos equipamentos utilizados.
É essa a função da calibração.
Segundo o Inmetro, calibração é a operação que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores fornecidos por padrões de referência e as indicações apresentadas pelo instrumento, considerando também as respectivas incertezas de medição. Portanto, calibrar não significa simplesmente declarar que um equipamento está aprovado. Significa produzir informações que permitam saber como ele está medindo.
Imagine um equipamento utilizado para aplicar ou medir corrente durante um ensaio. Se sua indicação apresentar um desvio desconhecido, a bateria poderá receber uma condição diferente daquela prevista no método. O problema deixa de ser apenas do instrumento: passa a comprometer a interpretação do resultado e, consequentemente, a avaliação da conformidade.
A ABNT NBR ISO/IEC 17025, referência internacional para laboratórios de ensaio e calibração, estabelece requisitos de competência, imparcialidade e operação consistente. No Brasil, a acreditação de laboratórios pela Cgcre/Inmetro utiliza essa norma como referência.
Outro conceito fundamental é a rastreabilidade metrológica. O Inmetro a define como a possibilidade de relacionar um resultado de medição a uma referência por meio de uma cadeia documentada e ininterrupta de calibrações, cada uma contribuindo para a incerteza de medição. Em linguagem prática: o número apresentado pelo laboratório precisa ter uma origem tecnicamente demonstrável.
Isso é especialmente relevante em um mercado regulado. As baterias automotivas chumbo-ácido abrangidas pela Portaria Inmetro nº 145/2022 estão submetidas a requisitos de avaliação da conformidade voltados à segurança e ao desempenho. Se a decisão sobre conformidade depende de medições, a confiabilidade dessas medições é parte da própria credibilidade da certificação.
Para fabricantes, significa maior segurança na validação do produto. Para distribuidores e varejistas, resultados mais confiáveis para comparar qualidade. Para o consumidor, maior proteção contra produtos cujo desempenho declarado não corresponde ao desempenho medido.
Há também ganho de sustentabilidade: medições confiáveis evitam decisões técnicas equivocadas, repetição desnecessária de ensaios, retrabalho e descarte prematuro de produtos.
Na QUALIBAT, calibração, rastreabilidade e controle dos equipamentos fazem parte da construção da evidência técnica. Porque qualidade comprovada começa antes do ensaio. Começa pela confiança na própria medição.